Há uma tristeza antiga

Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de Meneses
Publicado em 26 de Maio de 2026 ás 11h 46min

Há Uma Tristeza Antiga

 

Há uma tristeza antiga

morando por trás das cortinas da tarde.

Ela desce devagar, muito devagar,

como um pó fino de estrelas já mortas,

pousando suavemente

sobre os ombros cansados da minha alma.

 

As flores do jardim, outrora alegres,

já não cantam como antes.

O vento passa agora silencioso e triste,

levando consigo pequenos fragmentos,

restos e pedaços miúdos

dos sonhos que eu deixei cair, um a um,

pelo longo caminho da vida.

 

À noite, quando o mundo se cala,

converso baixinho com a chuva.

Ela, que também cai de um céu sombrio,

entende os abismos profundos

que escondo por trás dos meus olhos.

Cada gota que toca o chão

parece tocar também o meu íntimo,

despertando memórias adormecidas

que jaziam esquecidas dentro de mim.

 

Há um mar imenso e escuro

crescendo aqui dentro do meu peito —

um oceano sem fim de ausências,

onde frágeis barquinhos de lembranças

naufragam em silêncio absoluto,

sem fazer um único ruído.

 

E mesmo diante de tanta imensidão e dor,

eu ainda ergo o olhar para as estrelas.

Pois algo me diz que existe,

para lá de toda a melancolia do mundo,

alguma réstia de luz terna e doce,

que espera pelo meu coração,

quieta e serena,

na beira silenciosa do infinito.

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