Há um veleiro no fim do mundo
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 31 de Julho de 2026 ás 15h 34min
Há um Veleiro no Fim do Mundo
Rosy Neves
Há um veleiro no fim do mundo,
atravessando rios de eternidades
no meu peito.
Silêncio...
Silêncio...
Nem o vento ousa interromper
a despedida das águas.
As velas, bordadas de névoa e estrelas,
recolhem os últimos suspiros da tarde,
enquanto o horizonte se fecha
como um livro antigo,
escrito com lágrimas e luz.
Ele está partindo...
Leva consigo os sonhos
que nunca encontraram porto,
as palavras que adormeceram
na margem do tempo,
e os amores que aprenderam
a existir apenas no silêncio.
Meu coração permanece na praia,
feito farol de chama vacilante,
acenando para um destino
que já não pertence à terra.
Silêncio...
Silêncio...
Pois há despedidas
que nem o mar consegue pronunciar.
E o veleiro desaparece,
não atrás da linha do horizonte,
mas dentro da eternidade,
onde Deus recolhe, em paz,
tudo aquilo que o mundo
jamais soube compreender.