Há saudades que nem o infinito afoga
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 28 de Outubro de 2026 ás 06h 14min
Há Saudades que Nem o Infinito Afoga
— Rosy Neves
Levou a infância, as tardes douradas,
o som de uma voz que eu tanto amei,
as cartas de amor, as flores molhadas,
e os tantos adeuses que nunca pronunciei.
Nas conchas vazias, procuro vestígios
de um tempo que as ondas quiseram guardar;
há nomes dormindo em antigos naufrágios,
há lágrimas minhas perdidas no mar.
E quando a noite se deita nas águas,
e a lua derrama seu pranto de prata,
escuto o silêncio das minhas mágoas,
enquanto a saudade meu peito arrebata.
Ó, mar! Devolve-me ao menos um sonho,
um sopro de vida, uma estrela qualquer…
Pois trago no peito um jardim tristonho
e a ausência de tudo o que um dia foi fé.
Mas o mar permanece, profundo e calado,
guardando segredos que não revelará;
e eu sigo na areia, coração naufragado,
amando as lembranças que não voltarão jamais.
Pois há coisas que o mar leva para sempre,
mas há saudades que nem o infinito consegue afogar.