GRATIDÃO
Hoje não quero agradecer
pelos caminhos que percorri,
nem pelas portas que se abriram,
nem pelas flores que colhi.
Hoje quero agradecer
por algo muito mais profundo:
por ser quem sou.
Gratidão
porque o riso ainda me visita
com a espontaneidade das manhãs.
Porque encontro alegria
até nas pequenas delicadezas
que muitos já deixaram de perceber.
Gratidão
por nunca ter desaprendido
a conversar com as pessoas.
As palavras sempre foram
mais do que sons para mim.
Foram pontes.
Foram encontros.
Foram abrigo.
Agradeço
pela capacidade de sentir.
Sim, de sentir profundamente.
Porque, embora as emoções
às vezes pesem,
jamais trocaria
um coração que transborda
por uma alma indiferente.
Gratidão
pela empatia
que me faz enxergar
as lágrimas escondidas
atrás dos sorrisos.
Pela simpatia
que abre portas
antes mesmo que eu diga meu nome.
Pela vontade sincera
de acolher.
Há pessoas
que oferecem respostas.
Eu sempre preferi
oferecer presença.
E isso basta.
Agradeço
por conservar a ternura
num tempo
que tantas vezes confunde
força com dureza
e inteligência com frieza.
Escolho continuar acreditando
que a delicadeza
também transforma o mundo.
Sou emotiva.
E durante muito tempo
pensei que isso fosse excesso.
Hoje compreendo
que é justamente
a minha maneira
de permanecer humana.
Se meus olhos se enchem de lágrimas,
é porque meu coração
ainda reconhece a beleza,
a dor,
a saudade,
a esperança.
E isso é um presente.
Não desejo ser menos sensível.
Desejo apenas continuar fiel
à mulher que a vida,
o amor,
as perdas,
a fé
e o tempo
foram moldando em mim.
Hoje,
olho para minha própria história
com a serenidade
de quem finalmente compreendeu:
não preciso ser outra pessoa
para merecer a felicidade.
Minha essência
é o lugar
onde Deus me encontrou.
E é exatamente nela
que desejo permanecer.
Por isso,
minha gratidão
não é por aquilo que tenho.
É por aquilo que sou.
E, se um dia a vida me perguntar
qual foi a minha maior conquista,
responderei, com um sorriso tranquilo:
ter atravessado o tempo sem perder a capacidade de amar.