Gotas de orvalho
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 30 de Abril de 2026 ás 07h 40min
Gotas de orvalho
Na pele da manhã,
repousam silenciosas
as gotas de orvalho—
pequenos universos
pendurados na ponta da relva.
São lágrimas da noite
que não quiseram cair no esquecimento,
mas escolheram florescer
na delicadeza do amanhece.
Cada gota guarda um segredo:
o sussurro do vento,
o suspiro das estrelas,
o último beijo da lua
antes de partir.
E quando o sol desperta,
com mãos douradas e quentes,
ele as recolhe com ternura
como quem leva consigo
as memórias mais suaves do mundo.
Assim, o orvalho desaparece,
mas nunca se perde:
transforma-se em luz,
em calor,
em eternidade invisível
dentro do dia que nasce.