Galhos secos
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 09 de Agosto de 2026 ás 15h 08min
Os Galhos Secos
Rosy Neves
Os galhos secos ainda respiram orvalho,
mesmo quando a noite lhes rouba o verde,
mesmo quando o vento, cansado,
passa por eles sem dizer palavra.
Há uma vida escondida
naquilo que parece morto.
Uma gota repousa na ponta de um galho,
como uma lágrima que o céu deixou cair
antes de partir.
E eles permanecem...
silenciosos, nus,
abraçando o frio da madrugada
com a dignidade das árvores antigas.
Talvez ninguém perceba,
mas dentro da madeira ressequida
a primavera ainda sussurra.
Há sementes dormindo
no coração das sombras,
há raízes conversando com a terra,
há uma esperança pequena
que se recusa a morrer.
Os galhos secos ainda respiram orvalho...
E eu, olhando para eles,
aprendo que nem todo silêncio é fim,
nem toda secura é ausência,
nem toda despedida significa morte.
Às vezes,
a vida apenas se recolhe
para florescer em segredo.
E quando o primeiro raio de sol tocar a manhã,
talvez um botão nasça
onde todos juraram
que já não havia vida.
Talvez seja assim comigo também:
um coração cansado,
uma alma coberta de inverno,
e, ainda assim,
uma gota de céu
insistindo em permanecer.
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