Galhos nus
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 03 de Junho de 2026 ás 11h 21min
Os Galhos Nus
Os galhos estão envergonhados, nus,
feitos velhos sonhos deixados expostos ao vento.
As folhas partiram em silêncio absoluto,
sem deixar cartas, sem deixar promessas,
sem sequer pararem para dizer adeus.
Ficou apenas o murmúrio suave do outono,
que caminha devagar por entre as árvores,
feito alguém que, com carinho,
recolhe memórias esquecidas pelos cantos do tempo.
O céu parece imensamente maior agora,
e a tarde veste, com elegância, o seu manto de melancolia.
Cada ramo estendido na direção do infinito
é uma prece muda, um gesto de saudade,
erguido firme e alto na direção das nuvens.
Mas os galhos guardam sabem segredos profundos,
que os olhos apressados e distraídos não conseguem compreender.
Eles sabem que toda partida, por mais definitiva que pareça,
carrega sempre dentro de si a semente de um retorno.
E sabem que a ausência das folhas verdes
não é, de forma alguma, o fim da canção.
Por isso, permanecem ali, de pé, despidos e serenos,
enfrentando com coragem os ventos frios que sopram,
guardando no cerne da sua madeira antiga e forte,
a esperança verde e viva de uma nova primavera.
E quando as flores, enfim, regressarem,
trazidas pelas mãos suaves da nova estação,
ninguém mais lembrará do tempo de abandono e frio.
Pois até a tristeza calada das árvores
se transforma em beleza plena,
quando o amor da vida volta, glorioso, a florescer.