Fujas para as estrelas
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 28 de Maio de 2026 ás 14h 47min
Fuga para as Estrelas
Vamos, criança, queres fugir comigo para as estrelas?
Olha só: a noite abriu imensamente os seus jardins de prata,
e todas as constelações, uma por uma, acenderam
suas pequenas e brilhantes lamparinas
sobre o grande e profundo silêncio do mundo.
Vem depressa… corre para cá!
Antes que a tristeza desperte os sinos da cidade
e derrame a sua névoa fria e cinzenta
sobre os telhados, as ruas e os caminhos da Terra.
Leva contigo tudo o que tens de mais belo:
os teus sonhos pequenos, mas cheios de coragem,
os teus bolsos repletos de luas imaginárias,
e esses teus olhos profundos, sempre inundados
de perguntas que não têm fim e de eternidade.
Subiremos juntos, passo a passo, pelas escadas do vento,
até onde os cometas descansam e dormem tranquilos,
parecendo grandes e belos pássaros de fogo
aninhados no colo macio e invisível do universo.
Lá, nesse lugar sagrado e distante,
nenhuma dor jamais saberá o nosso nome,
nem poderá nos encontrar.
E se alguma lágrima, por acaso, ainda nos chegar aos olhos,
não será de sofrimento: será transformada
em águas claras e rios luminosos,
que correrão mansos e serenos entre as galáxias.
Vamos, criança… não demores mais!
As estrelas estão todas nos esperando, pacientes e brilhantes.
Escuta com atenção… consegues ouvir?
Elas cantam lá do alto, bem baixinho,
canções antigas, suaves e doces,
cheias de uma esperança que nunca morre.
E quando, aqui embaixo, o mundo acordado perguntar,
cheio de espanto e saudade, para onde fomos,
o céu, imenso e cúmplice, responderá em segredo,
com a voz do vento e da luz:
— Fugiram para muito longe, para além do tempo…
— Fugiram para aprender, diretamente com o infinito,
— a linguagem misteriosa e infinita da luz.