Fuga e libertação
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 29 de Maio de 2026 ás 20h 46min
A Fuga e a Libertação
Estou fugindo de ti,
como uma folha seca levada pelo vento:
estou solta, em movimento,
mas ainda assim, permaneço presa
aos ecos persistentes de um passado que não se cala.
Os teus passos ainda ressoam ao meu redor,
um sussurro constante na brisa que passa,
memórias que dançam e giram entre as sombras,
mas eu sigo em frente, não olho para trás...
Caminhando pelas esquinas do destino,
onde a luz se encontra e se mistura com a escuridão,
onde o sol, ao nascer ou ao morrer, toca as marcas deixadas pela chuva,
os meus pensamentos ainda se enredam e se perdem
na teia fina e forte daquilo que um dia fomos,
numa saudade que já não cabe mais em mim,
que já não me serve nem me define.
Não quero mais ser a planta dócil e frágil
que floresce apenas às tuas ordens e desejos.
Quero ser como a erva daninha,
que cresce forte e se espalha livre pelo chão,
desafiando a gravidade de tudo aquilo
que um dia conheci e que agora deixo para trás.
Olho firme para o horizonte distante,
onde o azul do céu se despede devagar,
e a noite chega prometendo um novo começo,
um refúgio seguro sob o brilho das estrelas:
um lugar onde tu não existes,
onde finalmente eu sou inteiro, completo e só meu,
e onde o tempo, sábio e cura, desvanece e apaga
os últimos traços da tua presença em minha vida.
Sim, estou fugindo de ti...
mas não nego que levo ainda na minha alma
a cor bonita que um dia deixaste aqui.
Porém, agora, cada sombra é apenas uma lembrança,
e cada passo que dou para a frente
é, acima de tudo, um ato de libertação.