FRAGILIDADE
Às vezes, eu finjo que superei,
não por força,
mas por cansaço.
Cansaço de explicar ruínas,
de justificar rachaduras.
Aprendi que a dor em excesso afasta.
Que ninguém se demora onde há estilhaços.
Então eu sorrio num gesto ensaiado
que diz "está tudo bem"
quando nada está.
Converso sobre o trivial,
coleciono frases leves,
caminho ereta
para que não percebam
o peso que carrego.
Ser quebrada dá trabalho
e eu não quero ser um fardo.
Mas a noite não acredita em máscaras.
Ela sabe de tudo...
O silêncio se senta ao meu lado e pesa.
Pesa como tudo o que foi engolido
durante o dia.
Quando as luzes se apagam,
o coração perde o equilíbrio e desaba...
Sem testemunhas,
sem aplausos,
sem defesa.
É ali, no escuro,
que eu existo inteira na minha fragilidade.
E mesmo em ruínas,
continuo pulsando,
esperando que alguém, um dia,