FORA DO TEMPO

| Prosa Poética | 2026/9 Antologia O invisível que a palavra revela | Isolti Cossetin
Publicado em 22 de Setembro de 2026 ás 19h 05min

Há domingos que chegam fazendo barulho, cheios de encontros, pressa e conversas sobre o nada. Os meus prefiro que cheguem em silêncio. Entram sem bater, como quem já conhece a casa e sabe onde se sentar.

Enquanto a vida lá fora corre em busca de registros e risos altos para provar algum tipo de felicidade, eu me recolho no meu próprio ritmo. Sei que para muitos isso pode parecer solidão ou tristeza — como se o silêncio fosse sempre falta de algo. Mas é justamente nele que me encontro inteira.

A cozinha ganha aroma de café feito sem pressa. Pratos simples, preparados só para mim, ganham gosto de aconchego. Músicas antigas sopram pela casa, trazendo memórias suaves e de um tempo que ainda vive em mim. Cada melodia guarda um pedaço de quem fui e das pessoas que me atravessaram ao longo dos anos.

Nas horas lentas da tarde, me perco nos livros e me deixo levar pelas narrativas suaves dos meus doramas — com aquela delicadeza sincera que nos devolve a fé nas coisas simples. E, quando o peito transborda, eu escrevo. Escrevo para dar espaço ao que não cabe só no pensamento.

Minha vida nesses dias não tem nada de vazia. Ela se faz no sol que atravessa a cortina numa tarde quieta, na luz da lua que entra suave pela janela enquanto o mundo dorme. Aprendi que nem toda alegria precisa ser alardeada; às vezes, a felicidade é só esse instante de paz bonita que nos abraça por dentro sem pedir nada em troca.

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