Flores no jardim
| Poesia intimista | 2025 - Antologia Maria Lurdes e Convidados | Manoel R. LeitePublicado em 09 de Março de 2026 ás 16h 01min
No jardim o vento aprende nomes de flores
Rosas tem espinhos como quem se protege do passado
Perfume sobe lento na claridade da manhã
e uma abelha desenha círculos silenciosos no ar
Lírios erguem taças brancas diante do silêncio
escutando histórias vindas de outros jardins.
Na quietude clara das pétalas abertas
há uma paz que não se explica
Girassóis inclinam o rosto a caminho da luz
viajantes pacientes seguindo o rastro do sol.
Mesmo quando nuvens caminham sobre a tarde
algo neles continua olhando para cima
Margaridas estremecem leves junto ao portão
vento brinca com seus pequenos astros.
Ninguém percebe aqueles que conversam com o chão
Balançam risos distantes
Orquídeas vivem à sombra da cerca antiga
Beleza que chega devagar em melodia passada
Quem passa depressa mal percebe,
mas o ar conserva a lembranças perfumadas
Jasmim acende a noite sem pedir atenção
pequenas estrelas presas às folhas escuras.
O jardim respira lentamente no escuro
e cada flor sustenta um sopro de sonho
Às vezes o vento passa e tudo se inclina
como se o jardim inteiro pensasse em silêncio
Talvez o mundo floresça assim
devagar, naquilo que quase ninguém vê.