Fios de sonhos

Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de Meneses
Publicado em 13 de Março de 2026 ás 18h 00min

Fios de sonhos,

longas linhas prateadas na escuridão macia,

desprendem-se da vigília que já não os segura.

 

Eles escorrem,

lentamente,

como seda molhada,

para o leito escuro do rio da noite.

 

Um rio sem margens firmes,

apenas a correnteza do tempo que passa

e leva consigo o sussurro das esperanças desfeitas.

 

Em desespero profundo,

esses fios tecem

uma súplica silenciosa,

uma urgência fria sob o manto estrelado.

 

Eles buscam,

com uma fome antiga,

não a terra rasa,

não o porto conhecido,

mas sim a vastidão.

 

Um oceano aguarda,

dizem as correntes noturnas,

um lugar onde o desassossego

finalmente se dissolve.

 

Não um mar qualquer,

não as águas salgadas

que conhecemos sob o sol.

 

Mas sim um mar celestial,

onde a luz nasce diferente,

e as ondas são feitas de puro desejo realizado.

 

Um lar primordial,

onde cada fio perdido

encontre seu irmão de éter,

onde o murmúrio do rio

se torne o silêncio vasto

do infinito azul-negro.

 

Eles caem,

mergulham,

cada filamento de sonho

anunciando sua chegada

a essa morada sem forma,

o oceano de onde tudo veio,

e para onde, finalmente,

tudo deve regressar.

 

A noite os carrega,

sem pressa,

pois o destino é certo,

embora distante,

esse retorno sagrado

às águas celestiais.

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