FILOSOFIA DO EU
| Cordel | 2026/3 Antologia Rascunho do Eu: enquanto me escrevo | Josivaldo Constantino dos SantosPublicado em 05 de Abril de 2026 ás 00h 22min
FILOSOFIA DO EU
Se “penso logo existo”
René Descartes dizia
Essa é a máxima profunda
De sua Filosofia
Eu, penso e tenho existência
Esta é a minha essência
É o meu “eu” de cada dia.
Eu vivo sempre pensando
No desdobrar do meu “ser”
Será que eu me conheço?
Isso, eu sempre quis saber
Eu sei que não vivo a esmo
E o “conhece-te a ti mesmo”
De Sócrates, me faz sofrer.
Sofro de muito pensar
Em minhas formas de existir
E me vem à mente Heráclito
Com o conceito de “devir”
Estou sempre a acontecer
Em constante “vir a ser”
Sempre a me constituir.
Eu me faço e me refaço
Sempre, e a cada dia
Ontem, fiz algo que hoje
Talvez eu jamais faria
Ontem, agi de uma forma
Porém, isso não é norma
E hoje, assim não agiria.
Como ser humano vivo
Em crise existencial
O animal não vive em crise
Porém, no humano é normal
É a crise que me refaz
E nunca me satisfaz
E isso é bem natural.
Eu tento me conhecer
Mas é difícil a missão
O “devir” me identifica
Me põe em contradição
No existir vou vivendo
Mas, ao viver vou morrendo
O existir é criação.
O meu “Eu”, vive e existe
Este “Eu”, me constitui
Mas, sem o “Tu” não existo
Sem o “Tu”, o “Eu” não flui
“Eu” e “Tu”, é relação
Se o “Tu” falta, é negação
E o “Eu” não se conclui.
Eu me escrevo e me descrevo
Vivo à procura de mim
Eu sou? Ou somente existo?
Qual meu início e meu fim?
De onde vim? Pra onde vou?
Afinal, o que eu sou?
Eu só digo que “eu não sei
Eu só sei que foi assim”!
Comentários
O cordel do poeta Josivaldo explora conceitos da filosofia acidental, através da perspectiva do "eu"! O "eu lírico" do poeta admite a limitação do conhecimento humano diante do mistério da vida, onde a existência é aceitável como um processo contínuo de escrever-se e reescrever-se!
Lorde Égamo | 05/04/2026 ás 11:06