Feita de pó de estrelas
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 19 de Agosto de 2026 ás 07h 51min
Feita de Pó de Estrelas
Rosy Neves
Eu sou feita de pó de estrelas,
de fragmentos perdidos no infinito,
pedaços de antigos pergaminhos
escritos numa linguagem esquecida
pelos homens e pelo tempo.
Sou as cinzas adormecidas
dentro de um tabuleiro abandonado,
onde os destinos jogaram seus dados
e partiram sem dizer adeus.
Sou a névoa suspensa no céu,
aquela névoa sombria e silenciosa
que desce sobre a noite
e, com dedos de sombra,
tece lentamente o teu rosto
antes que a morte pronuncie teu nome.
Carrego nos olhos constelações extintas,
e dentro do peito,
um universo que ainda respira.
Sou memória de mundos que ninguém lembra,
um suspiro perdido entre as estrelas,
uma palavra que o tempo
não conseguiu apagar.
E quando a última luz se perder,
quando o céu fechar suas grandes cortinas,
talvez eu ainda esteja aqui —
como poeira sagrada sobre o silêncio,
esperando que alguém,
entre os escombros da eternidade,
encontre meus versos
e descubra que um dia
eu também fui estrela.