Fado dos olhos
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 12 de Outubro de 2026 ás 07h 18min
Fado dos Olhos
Rosy Neves
Os olhos dele são dois sóis negros,
acesos no avesso da madrugada,
duas luas brancas dançando um fado
no esplendor silencioso da vastidão.
E eu, que os fitava sem defesa,
perdi o nome, a hora e o caminho.
Havia estrelas presas em seus cílios
e uma noite inteira morando em seu rosto.
Que por castigo,
o amor lhe deu olhos tão profundos,
para que ninguém pudesse alcançá-lo
sem primeiro naufragar em si mesmo.
Que por castigo,
cada olhar seu carregasse
a saudade de um mundo extinto,
a música triste de tudo o que não volta.
E quando ele fechava os olhos,
o céu se apagava devagar.
Mas, ao abri-los, toda a eternidade
voltava a arder dentro do meu peito.