Eu tive medo

Poemas | 2025 - Valter Figueira e Convidados - Lições que viram versos | Romeu Donatti
Publicado em 18 de Janeiro de 2026 ás 20h 46min

Tive medo de cerrar os olhos 

e não reencontrar os teus. 

Tive medo da noite eterna, 

mas plantei minha fé em Deus. 

 

Veio o dia. 

O medo – sombra fugidia – 

dissolveu-se no altar da fé. 

Abri meus olhos. 

Levantei-me. Fiquei de pé!

 

Tive medo de cerrar os olhos,

E nunca mais ver a chuva fina

Bordar a relva verde, repentina.

E nunca mais tocar teu rosto

E perder teu cálido beijo, que

como a luz do sol, me ilumina!

 

Seria refutar meus sonhos, 

calar minha risada, 

o fim da jornada... 

Tive medo de não sentir, 

pela última vez, ó vida,

tua pele aveludada. 

 

Quantos arrepios, quantos temores! 

Abro agora os olhos – cansados, 

mas gratos: 

a luz me acolhe, na leveza das flores

o amor me basta e me cura das dores.

 

Tenho fé em Deus e na Virgem Maria. 

A aurora nasce e sopra suave melodia. 

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