Eu quero voltar para casa

Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de Meneses
Publicado em 13 de Fevereiro de 2026 ás 20h 36min

Antes tivesse ficado 

naquele lugar macio, 

onde o céu era um tear infinito, 

e cada estrela, um fio de seda 

costurando o futuro com promessas leves. 

 

Lá, o ar cheirava a orvalho e certeza. 

Eu era parte da trama, 

sem o peso deste agora, 

deste chão que me engole a cada passo incerto. 

 

Meu Deus, o que me moveu? 

Que sede irracional 

me fez trocar a tapeçaria noturna 

pela miragem deste asfalto quente? 

 

Perdi-me. 

Não foi um desvio pequeno, 

foi um mergulho cego 

na luz que prometia ser sol, 

mas se revelou apenas névoa densa. 

 

A ilusão, ah, a ilusão, 

tinha um brilho tão sedutor, 

um convite sussurrado 

de algo que parecia ser mais, 

algo que faltava no silêncio estrelado. 

 

Agora, a saudade é um espinho 

que não se retira, 

enfiado bem no centro do peito. 

E a paisagem mudou. 

 

As árvores daqui não me reconhecem. 

Os sons são estranhos, ruidosos, 

não têm a melodia antiga 

daquele sossego cósmico. 

 

Tentei refazer os passos, 

voltar pela trilha que deveria estar marcada 

com a poeira prateada do caminho de casa. 

 

Mas o caminho se dissolveu. 

O mapa rasgou-se nas minhas mãos. 

Cada curva que tomo me leva a mais longe 

daquele ponto de partida sereno. 

 

Estou preso neste labirinto de desejo não cumprido, 

onde o horizonte é sempre outro horizonte, 

e a noite aqui é só escuridão, 

sem o conforto dos pontos luminosos 

que sabiam meu nome. 

 

O regresso é uma palavra oca. 

Não há bússola que aponte para trás, 

para a tecelagem das estrelas. 

Apenas este vazio vasto, 

e a pergunta muda 

que ecoa no silêncio: 

Por que eu quis sair?

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