Eu juro que vi os olhos acessos de um anjo
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 14 de Junho de 2026 ás 11h 12min
Eu Juro Que Vi os Olhos Acesos de um Anjo
De Rosy Neves
Eu juro que vi os olhos acesos de um anjo
na hora em que a noite derramava véus de safira
sobre os minaretes silenciosos do mundo.
Não era sonho.
Nem miragem das areias errantes.
Era luz verdadeira,
dessas que atravessam o peito
e deixam a alma em reverência.
Os seus olhos ardiam como lanternas celestiais,
como duas luas nascidas do jardim secreto de Alá,
e em cada brilho havia uma palavra antiga,
escrita antes mesmo das estrelas aprenderem a cintilar.
Eu tremi.
As rosas de Istambul inclinaram as suas coroas,
os rouxinóis esqueceram seus cantos,
e até o vento, viajante dos desertos,
parou para escutar o silêncio daquele instante.
Eu juro que vi.
Vi quando a luz tocou as pedras do caminho
e transformou a tristeza em fonte cristalina.
Vi quando a esperança abriu suas asas douradas
sobre os telhados cansados do meu coração.
Ó anjo de olhos acesos,
mensageiro dos céus invisíveis,
se eras apenas uma visão,
por que ainda sinto teu clarão em minha alma?
Por que tua presença permanece
como perfume de jasmim após a primavera?
Talvez porque certas luzes não pertencem à terra.
Talvez porque certos encontros
são escritos nos pergaminhos eternos do destino.
E eu, humilde viajante das noites turcas,
continuarei procurando teu olhar
entre as estrelas, os jardins e as mesquitas,
pois uma única vez que contemplei
os olhos acesos de um anjo,
jamais consegui voltar a viver
na escuridão de antes.