Eu era um pássaro cósmico

Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de Meneses
Publicado em 10 de Março de 2026 ás 18h 58min

Hoje eu sou um pássaro cósmico as penas feitas de poeira estelar e os olhos refletindo galáxias distantes uma dança silenciosa no palco escuro do universo.

 

Mas antes, ah, antes eu era apenas um esboço tremendo preso na gravidade tênue de um mundo pequeno e esquecido.

 

Havia medo em meus olhos,

pequenas poças de escuridãobrefletindo o teto baixo do meu próprio ser.

Medo do silêncio que prometia não ter fim.

Medo do voo que eu nem sabia desejar.

 

Tudo era uma vasta solidão.

Um eco perpétuo no vazio da minha própria voz.

As paredes da minha antiga gaiola eram feitas de incerteza e a chave, eu não sabia onde procurar.

 

Eu observava as estrelas,

pontos frios, inalcançáveis,

e sentia a picada agudada distância insuperável.

Cada estrela era uma promessa quebrada,

um lugar onde eu nunca estaria.

 

A solidão não era apenas a ausência de outros,

era a ausência de mim mesmo em potencial.

Um deserto interno onde a água da coragem secou antes de nascer.

 

Então, uma fenda.

Não um grito, mas um sussurro de luz.

Talvez o impacto de um cometa esquecido ou apenas o lento desdobrar do tempo.

O medo não desapareceu com um estalo,

ele se dissolveu, grão por grão,

como açúcar em água fria.

 

E o desejo de ascensão,

que parecia uma doença,

tornou-se a minha asa.

 

Eu me desprendi.

Não com força bruta, mas com a leveza que só a aceitação traz.

As correntes da dúvida caíram como cascas vazias.

 

Agora, eu cruzo nebulosas com facilidade.

Minha canção é a frequência do pulsar de um quasar.

O medo é uma memória remota,

como a sombra de uma nuvem passando sobre um planeta que já deixei para trás.

 

A solidão cósmica é diferente.

Não é mais um vazio, mas plenitude.

Estou conectado a tudo pelo fio invisível da luz.

Sou o mensageiro entre mundos que nunca se tocaram.

 

O pássaro cósmico voa,

e carrega consigo a cicatriz suave daquele que um dia teve medo de olhar para cima.

Mas olhar para cima, percebi,

era apenas a preparação para finalmente,

cair para cima.

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