Eu era um barco
Poemas | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 24 de Janeiro de 2026 ás 16h 43min
Eu era um barco perdido na praia,
madeira estilhaçada sob a luz mortiça da lua.
A areia fria, um lençol de esquecimento,
abraçando meu casco cansado.
Era noite,
e o escuro engolia as cores,
deixando apenas o sal,
e a memória do mar.
Era o barco dos sonhos,
cada tábua, um desejo acalentado,
cada vela, uma esperança tecida,
em fios de auroras e crepúsculos.
Sonhos de águas profundas,
de horizontes sem fim,
de ilhas desconhecidas,
e tesouros escondidos.
Mas a tempestade veio,
e a fúria das ondas me atirou aqui,
nesta margem deserta,
esquecido, à espera.
Mas eu nunca deixei de sonhar.
Mesmo na quietude da noite,
no silêncio da areia,
a melodia do oceano ainda ecoa em mim.
Ainda sinto o balanço suave,
a brisa salgada no rosto,
e a promessa de um novo amanhecer,
onde voltarei a navegar.
Porque um barco,
mesmo encalhado na praia,
guarda em si a alma do mar,
e a força indomável do sonho.