Eu descobri que a vida não tem sentido nenhum
Poemas | Poesia Filosófica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 22 de Maio de 2026 ás 09h 56min
Eu Descobri Que a Vida Não Tem Sentido Nenhum
Rosy Neves
Eu descobri que a vida não tem sentido nenhum,
como um mar sem ondas,
um céu sem estrelas,
um livro em branco,
cheio de promessas,
mas sem palavras.
Caminhei por ruas largas e vazias,
onde cada passo ecoava,
onde cada risada parecia uma lembrança distante,
o tempo escorrendo entre os dedos,
como areia em uma ampulheta quebrada.
O aroma das flores murchas,
flutuava no ar,
segredos guardados nas pétalas,
mas ninguém parava para ouvir,
as histórias contadas pelo vento.
Descobri que os sonhos,
são lanternas apagadas,
nascem brilhantes na infância,
mas na idade adulta,
parecem sombras que passamos a evitar.
E nessa busca incessante,
por um significado,
encontramos o vazio,
ecoando entre as paredes do coração,
e começamos a dançar no desespero,
como folhas soltas no outono.
As pessoas nos dizem,
"Aprenda a amar a vida",
mas como amar um enigma,
sem solução,
um labirinto sem saída,
onde as paredes se fecham.
Mergulho nos olhos dos outros,
na espera de um reflexo,
mas sou apenas um estranho,
um viajante sem mapa,
navegando em mares desconhecidos,
onde fantasmas sussurram.
E no silêncio,
entre as palavras não ditas,
encontro o consolo,
de que a ausência de sentido,
pode ser, talvez,
um espaço para criar.
Então danço com a incerteza,
deixo que a vida,
se desenhe como um quadro,
sem formas definidas,
pintado com cores caóticas,
onde a beleza está na imperfeição.
E talvez seja isso,
o segredo do existir,
aprender a abraçar o vazio,
intuir que a fragilidade,
é a verdadeira força,
e no entendimento da falta,
das perguntas não respondidas,
encontramos um caminho.
Um caminho não retórico,
mas vivo e pulsante,
onde o sentido se dissolve,
mas a experiência se expande,
e nessa dança do absurdo,
encontro a liberdade,
de apenas ser,
sem a pressão da resposta,
onde o ser se torna um ato,
e o nada, um espaço sagrado.