ETERNA SAUDADE
| Cartas | 2026/8 Antologia A quem ainda escrevo? | Lorde ÉgamoPublicado em 03 de Agosto de 2026 ás 12h 25min
ETERNA SAUDADE
Sinop, 02 de agosto de 2026
Querida!
Escrevo estas linhas, embora saiba que, em razão da brevidade dos teus dias, jamais as verás, porém quero que, de alguma forma, saibas que guardo em meu peito a memória de cada detalhe daqueles momentos inesquecíveis que vivemos naquelas belas tardes de outono, no memorável mês de maio, quando o mundo parava diante da imponência da Catedral, verdadeiro cenário de um grande amor. Ali era o nosso refúgio sagrado, palco perfeito para os nossos magistrais encontros. Guardo com profundo carinho os instantes em que a tua feição se transfigurava, e me transformava por completo, permitindo que eu vivenciasse mais um enlevo primoroso e inesquecível ao teu lado.
Amada!
Eram instantes de felicidade plena quando ao final da tarde, com a suavidade da luz, esperavas por mim, linda, radiante e consentias que eu me entregasse à intensidade na beleza daquele sentimento. Ousava tomá-la em meus braços com febril paixão. Eu me sentia tão feliz quando ao meu ouvido sussurravas gritinhos roucos, murmúrios de afeto e uma paixão ardente nos dominava integralmente.
Ah, coração!
A vida nos prega peças e, assim, cada um de nós seguiu caminhos diferentes, imprevistos. Mudaste-te sem deixar rastro ou endereço e, até hoje não me perdoo pela razão de não ter ido atrás de ti, já que tanto te amava.
Meu amor!
Há pouco tempo fiquei sabendo que um novo amor encontraste e logo te casaste, reconstruindo a tua vida. Soube, também, que desta união brotou um belo filho. O tempo passou rápido, hoje o menino se tornou um belo rapaz!
Querida!
Dia desses, em mais uma das peças inexplicáveis traçadas pelo destino, encontrei um jovem e, conversando com ele, descobri que era da mesma cidade onde moravas. Ao prosearmos me veio à mente a tua lembrança. Não fui capaz de conter a nostalgia e comentei sobre ti, a quem chamei de velha amiga, a que fora grande paixão da minha vida e que meu coração adoraria reencontrar.
Foi aí que vi brotar lágrimas daquele jovem e ele tentou conter o choro, mas disse num soluço velado “Essa foi minha mãe”. Com voz embargada completou “Adoeceu de um mal, sem cura. Mamãe partiu. Meu pai vive numa imensa amargura. Sofro demais. Sinto-me incapaz. Agora percebo a falta que me faz. Deus a levou para as alturas”.
Naquele instante um choque profundo transpassou-me a alma e os meus olhos se encheram de um brilho estranho, uma mistura de lágrima, dó, remorso. Uma tristeza profunda abateu meu coração.
Fitei, demoradamente, as feições daquele jovem com quem acabara de fazer amizade e, mentalmente, fiz conta dos dias, dos anos, do tempo percorrido, de sua idade e, pela cronologia do nosso passado, das coisas intensas que vivemos, pela verdade do meu coração deduzi que aquele rapaz poderia ter sido o nosso filho.
Meu amor!
Estás eternamente guardada em minha alma e agora repousas com os anjos na luz das alturas.
Com todo o amor e saudade que o tempo não apagou, para sempre, teu.
Eu sempre hei de te amar!
Enoque Gabriel
Comentários
Lindo Poema! Saudades q doi!
Maravilhosa muito linda parabéns sucesso sempre
Maravilhosa! Parabéns Poeta!
Comovente relato de um homem que amou uma mulher de uma tão notável que nem o tempo, a distância e nem mesmo a morte desta amável mulher, foi capaz de tirar o amor daquele homem...