ESTRANHA VITRINE

| Poesia Lírica | Isolti Cossetin
Publicado em 01 de Junho de 2026 ás 17h 41min

ESTRANHA VITRINE

Daqui, entre o vidro e o horizonte de asfalto,

assisto à coreografia mecânica do mundo.

Aviões, aves de ferro em repouso e movimento,

riscam o céu num adeus mudo e profundo.

Lá fora, o fluxo é de vento e turbina,

funcionários em cores de alerta, guiando o metal.

Aqui dentro, a vida é uma estranha vitrine,

um vai e vem de gente em estado umbilical.

Olhares perdidos em painéis que piscam destinos,

abraços de quem chega, ombros de quem vai.

Somos todos, por instantes, peregrinos,

no hiato do tempo onde a pressa se sobressai.

O aeroporto é o ventre de todas as ausências,

onde o "estive" e o "estarei" se encontram no portão.

Mãos que se soltam com urgência,

pés que caminham sem tocar o chão.

Nesta conexão, sou apenas a espera.

Observo o mundo girar em sua órbita de embarque,

entendendo que a vida, nessa imensa esfera,

é apenas um pouso antes do próximo baque.

Somos o fluxo, a bagagem, o anseio.

Almas em trânsito, buscando um lugar,

enquanto o destino acontece no meio,

entre o desejo de ir e o medo de ficar.

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