Estou me transformando em folhas secas

Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de Meneses
Publicado em 26 de Fevereiro de 2026 ás 07h 30min

O sol de verão perdeu sua força,

Um frio rasteja no ar,

Meu espírito desaparece com a luz que declina,

Um fardo que tenho que suportar.

 

Caminho sob o azul que se desvanece,

Minhas cores vibrantes começam a mudar,

O verde que vestia está passando,

Uma lição que aprendo devagar.

 

Minha pele fica fina, uma casca frágil,

A seiva que subia agora cessa,

Um feitiço silencioso e melancólico,

Que rouba a minha paz interior.

 

Os galhos suspiram sobre minha cabeça,

Enquanto os ventos começam seu chamado lamentoso,

O jardim onde minhas esperanças foram alimentadas,

Se prepara para me ver cair.

 

Sinto a mudança em meu cerne,

Um tempo de despojar se aproxima,

A vida que conhecia não existe mais,

Substituída pelo que profundamente temo.

 

Vejo os dourados, os vermelhos, os castanhos,

Que pintam as árvores ao longo do caminho,

Essas coroas terrestres, adoráveis e passageiras,

Refletem o fim do meu reinado.

 

Meu riso agora é suave e baixo,

Como papel roçando no chão,

Onde cresci forte e firme,

Não há mais um alicerce seguro.

 

Os pássaros que cantavam em meu seio,

Guardaram suas asas e voaram embora,

Buscam um lugar mais quente para descansar,

E me deixam esperando pelo cinza.

 

Estou me transformando, devagar e profundamente,

Da mocidade verde à graça da idade,

Enquanto todos os segredos adormecidos guardam,

A memória desse tempo e lugar.

 

A umidade me abandona dia após dia,

Uma secura se instala em minha alma,

Vejo minha força simplesmente desaparecer,

Além do meu esforço para controlar.

 

Ah, Outono, você chega muito rápido,

Para reivindicar a beleza que eu possuía,

A floração da mocidade ficou no passado,

Anseio por finalmente descansar.

 

Em breve cair-ei e deslizarei suavemente,

Um fragmento poeirento do ano,

Um presente final, frágil e caindo,

Dissipando toda dúvida e lágrima.

 

A frescura sussurra na brisa,

Uma profecia que entendo,

Estou me tornando folhas murchas,

Devolvidas à poeira da terra.

 

Então deixe a transformação florescer,

Esta beleza que desaparece eu abraço,

Fugindo da sala iluminada pelo sol de verão,

Para encontrar meu espaço direito e calmo.

 

Sou uma folha prestes a voar,

Liberada do dever, verde e forte,

Sob o céu vasto e vigilante,

Onde permaneci por muito tempo.

Comentários

Olá! Utilizamos cookies para oferecer melhor experiência, melhorar o desempenho, analisar como você interage em nosso site e personalizar conteúdo. Ao utilizar este site, você concorda com o uso de cookies.