“Esquecidos no tempo”
Eles deram o colo quando o mundo era grande demais para as mãos pequenas deram o pão repartido, deram a vida para proteger, o coração sem reservas. Foram abrigos nos dias de medo, raiz firme quando tudo balançava. Plantaram amor acreditando que, assim, manteriam os filhos por perto, mesmo quando crescidos.
Mas o tempo, silencioso e frio, passou como vento que apaga vozes. Trouxe o silêncio. Trouxe o vazio. O caminho terminou em um asilo triste e sombrio, onde os dias têm cheiro de espera. Os filhos partiram.
Agora ali, à beira da janela sempre aberta, eles olham a rua sem ter voz para gritar. São exilados do próprio lar, vivendo num lugar onde o tempo anda devagar demais. Esperam visitas que não vêm. O mundo parece distante, quase inalcançável, como se estivesse do outro lado de um vidro grosso.
Mesmo feridos, não deixam de amar. O amor não aprende a ir embora. O coração, teimoso, insiste em perdoar. Cada passo no corredor acende uma esperança breve.
Amor gera esperança, mas também abrem feridas profundas, desejando apenas o abraço do filho, aquele gesto simples que um dia foi rotina. O abandono dói, dói como algo sem nome, algo que não deveria existir.
E a pergunta ecoa entre paredes frias: será possível quebrar esse vazio? Talvez sim, talvez ainda haja tempo. Porque exilar os pais é, no fundo, exilar os próprios filhos, do afeto, das origens, da própria humanidade.
E enquanto a resposta não vem, eles seguem ali, amando. Porque pais, mesmo que esquecidos, nunca deixam de esperar o filho querido.