ESCUDO, NÃO ARMA
Desde o princípio, a narrativa nos conta que Deus viu o homem só.
E a solidão não era boa.
Então criou a mulher,
não como rival,
não como serva,
não como sombra,
mas como companhia.
Alguém para caminhar ao lado.
Para partilhar a vida.
Para amar e ser amada.
Se a criação nasceu da necessidade de comunhão,
em que momento a proteção se tornou ameaça?
Em que curva da história o guardião virou agressor?
Quando foi que o escudo se transformou em arma?
O homem não foi chamado a dominar pelo medo,
mas a sustentar pelo cuidado.
Não a impor silêncio,
mas a preservar dignidade.
Não a esmagar fragilidade,
mas a proteger aquilo que é precioso.
Há algo profundamente distorcido
quando aquele que deveria ser abrigo
se torna tempestade.
Quando o lar deixa de ser refúgio
e passa a ser território de dor...
Em todos os cantos do mundo,
mulheres têm seus sonhos interrompidos
por mãos que confundiram força com poder.
Mas força verdadeira não fere.
Força verdadeira contém a própria violência.
Força verdadeira é domínio de si.
Ser homem é honrar o propósito da origem:
amar sem ferir,
cuidar sem controlar,
proteger sem sufocar.
Quando uma mulher é violentada,
não é apenas uma vida que se parte,
é o projeto de comunhão que se rompe.
É a própria ideia de lar que se desfaz.
O papel do homem é ser escudo.
Escudo da vida.
Escudo da dignidade.
Escudo do amor que lhe foi confiado.
Nunca a arma
que destrói aquilo
que nasceu para proteger.