Escadaria de Cristal
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 21 de Março de 2026 ás 10h 06min
Escadaria de Cristal
Eu sigo a luz dos teus olhos,
como quem persegue um sonho antigo,
um farol aceso no nevoeiro da alma,
um chamado que não se cala.
Subo por uma escadaria de cristal,
cada degrau reflete o brilho do teu olhar,
e o som dos meus passos ecoa
como prece, como promessa, como destino.
O ar é leve, quase sagrado,
e o tempo se dobra em silêncio,
como se o universo inteiro esperasse
o instante em que te alcanço.
Teu vulto lá em cima é a minha bússola,
a direção que o coração entende
sem precisar de mapas ou palavras.
És o norte que me guia,
a estrela que não se apaga,
mesmo quando a noite é densa
e o medo tenta me cegar.
Cada degrau é um verso,
cada suspiro, uma oferenda.
O cristal sob meus pés
guarda o reflexo das minhas esperanças,
e o vento que sopra entre as colunas
traz o perfume do teu nome.
Subo, e o mundo lá embaixo se dissolve,
as dores se tornam névoa,
as lembranças, apenas ecos distantes.
Tudo o que existe é o brilho que me chama,
a promessa de um toque,
a certeza de um encontro.
Quando enfim te alcanço,
não há fronteira entre luz e sombra,
entre corpo e alma,
entre o que fui e o que serei.
Há apenas o instante —
eterno, suspenso, transparente —
em que teus olhos me recebem
e o cristal se transforma em céu.
E então compreendo:
não subia para te encontrar,
mas para me reconhecer
na claridade que habita em ti.