Eros e Poesia
Era outono;
Na sonoridade das folhas secas,
os olhares se encontraram.
O sorriso foi espontâneo:
belo, doce, intenso, largo.
Como pode caber tanta ternura em um sorriso?
Tantos sentimentos?
Os olhos são as janelas do céu
e provocam um turbilhão de coisas dentro de nós.
A alma se reconhece
quando ainda não entendemos nada,
nada mesmo.
Parece-me que já éramos unidos por algo sagrado,
e não há capacidade humana de entender tal coisa.
Se eu respiro, você é o ar
que entra nos meus pulmões para me deixar confortável.
Se seu coração pulsa mais forte,
acompanho o compasso, acariciando-te até que durma.
Almas entrelaçadas
por sentimentos intensos e inexplicáveis.
Há uma unicidade com a qual não sabemos lidar.
Sabemos sentir, sabemos nos olhar.
Olhares que percorrem o corpo e tocam a alma.
Além de Eros,
somos nós e a poesia em nós.
Rosemeire dos Santos Silva
Comentários
Este poema de Mary Cloe é uma celebração da estética do sentir. Valoriza a sensibilidade e coloca a emoção como principal matéria-prima da construção literária!
Gratidão Poeta!