Sinopse:
Em meio à beleza de um vasto jardim, um pequeno pé de maçã verde acredita ser aquilo que nunca foi. Entre semelhanças, descobertas e reflexões, a primavera lhe revela a importância de reconhecer a própria essência.
Entre Semelhanças
Era um vasto jardim, com tantas flores que era impossível não se encantar. Além das flores, havia um rio manso, de águas verdes, que corria em seu entorno. Havia também várias árvores frutíferas, que deixavam o jardim ainda mais atrativo e admirável, além de algumas árvores nativas que serviam de abrigo para os habitantes do lugar.
E, dentre tantas belezas, havia também, bem ao lado de um pequeno pé de goiaba, um formoso pé de maçã verde.
Era primavera, e o jardim exalava variados aromas, beleza e perfeição.
O pé de maçã verde deu uma olhada para si mesmo, admirando os próprios galhos carregados.
— Ufa! — disse ele. — Estou lindamente lindo! Minhas goiabas certamente serão bem maiores e melhores que as suas!
Balançando as folhas para o pé ao seu lado, acrescentou:
— Opa… quase perdi minhas lindas flores!
Ele estava convicto de que era um pé de goiaba.
Os dias iam passando no jardim, envoltos em um ar de formosura e abundância. Os pequenos frutos começavam a romper entre os galhos das árvores e, a cada dia que passava, tornavam-se mais viçosos.
Então, certo dia, alguém se aproximou e comentou:
— Como são lindas essas maçãs! Tão verdinhas que até lembram o tom da goiabeira.
O pé de maçã estremeceu.
— Não! Eu sou um lindo pé de goiabeira e estou carregado de goiabas!
O verdadeiro pé de goiaba deu uma leve balançada nas folhas e disse, com calma:
— Meu amigo, você é verde, viçoso e até se parece comigo em alguns aspectos… mas você é um pequeno pé de maçã verde.
— Não acredito! — retrucou o pé de maçã, sem aceitar o que ouvia.
Então, o pé de goiaba riu baixinho e respondeu:
— Às vezes, de tanto estarmos perto de alguém, pensamentos intrusivos aparecem e tentam burlar nossa verdadeira identidade. Mas sempre há alguém, nas entrelinhas da vida, tentando nos mostrar quem realmente somos, sem nos ferir. Cabe a nós aceitar ou não.
Fez uma breve pausa antes de concluir:
— Você é uma maçã verde. E agora sabe disso. Cabe a você se aceitar… ou continuar querendo ser alguém que nunca será.
O vento atravessou o jardim em silêncio.
E, pela primeira vez, o pequeno pé de maçã olhou para os próprios frutos sem tentar enxergar goiabas neles.
Naquela primavera, o jardim continuou florindo como sempre. As flores permaneceram belas, o rio continuou correndo mansamente, e os pássaros seguiram repousando entre os galhos das árvores.
Mas algo havia mudado.
O pequeno pé de maçã já não precisava competir, fingir ou se comparar. Pela primeira vez, percebeu que havia beleza também em ser exatamente aquilo que nasceu para ser.
E, curiosamente, naquele instante, suas maçãs pareceram ainda mais bonitas.
Moral:
Nenhuma semelhança é capaz de mudar aquilo que realmente somos.