Se eu abrir a porta agora, você entra ou fica de fora, só olhando?
Porque eu sinto sua respiração antes mesmo de te ver,
e meu corpo já sabe o que vai acontecer se você der um passo.
Se você abrir, eu entro sem pensar duas vezes.
Te encosto na parede, deixo minhas mãos falarem primeiro,
porque a gente sempre soube onde isso ia dar.
Minha pele arrepia só de ouvir sua voz assim,
baixa, firme, cheia de intenção.
Você me provoca sem nem encostar,
e eu me pergunto se aguenta o que despertou.
Eu aguento. Aguento teu cheiro, teu gosto,
o calor que toma conta desse espaço entre nós.
Aguento o jeito que seus lábios buscam os meus,
como se o tempo fosse pouco.
Se for pra me tocar, que seja agora,
que não tenha pressa, mas que não se perca tempo.
Que seja com vontade, com sede,
do jeito que eu sei que você gosta.
Você sabe. Sempre soube.
Porque cada vez que eu te tenho,
é como se o mundo sumisse,
e tudo o que restasse fosse o calor dos nossos corpos.
Então me cala com a boca,
me segura com força,
porque essa noite é nossa,
e eu não quero espaço entre nós.