Entre cacos e colos
Há colos
que não consertam o mundo
Apenas recolhem
os estilhaços do invisível
Sem alarde
colam cacos
que nem o tempo ousou tocar
É no silêncio de um abraço
que a alma aprende
que quebrar
nunca foi o oposto
de continuar
O que se recompõe
não volta a ser o que era
torna-se outra forma
de eternidade.
E talvez seja esse
o destino de todo ser
partir-se
para descobrir
que existem colos
capazes de unir
até os fragmentos
que a própria existência
esqueceu de si