Entre Bósforos invisíveis

Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de Meneses
Publicado em 21 de Junho de 2026 ás 10h 09min

Entre Bósforos Invisíveis

De Rosy Neves

 

Sonhei...

Que eu viajava por Bósforos profundos, mais antigos que o primeiro suspiro da aurora, onde as águas não refletiam o céu, mas os segredos esquecidos das estrelas.

 

Naveguei por rios ocultos, correntes silenciosas que corriam entre constelações adormecidas, invisíveis aos olhos deste mundo, mas claros ao coração ferido dos sonhadores.

 

A lua vestia véus de prata, e os ventos traziam perfumes de jardins perdidos além do tempo. Nenhuma dor me seguia. Nenhuma sombra pronunciava meu nome.

 

Então avistei, ao longe, minaretes de névoa dourada, erguidos sobre horizontes impossíveis, como torres de oração suspensas entre o céu e o esquecimento.

 

Ali procurei refúgio.

Sentei?me nas escadarias do silêncio, enquanto anjos de asas transparentes bordavam estrelas sobre o crepúsculo, e os ecos do mundo se dissolviam como areia no mar.

 

Ó misterioso Bósforo dos sonhos, leva também minha saudade, essa ave cansada que habita meu peito. Conduze?a por teus caminhos celestes até os minaretes dourados da paz,

onde as lágrimas se transformam em pérolas, onde a melancolia adormece, e onde a alma, finalmente livre, repousa entre rios de estrelas e névoas iluminadas pela eternidade.

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