Sinopse:
Um poema sobre a ausência que apaga as cores do mundo e transforma os dias em silêncio. Entre o medo de endurecer o coração e a permanência do cinza, o texto sugere, de forma quase invisível, que nem toda cor se perde para sempre.
Em Tons de Cinza
Sem você, tudo é cinza.
As paredes respiram frio,
o chão esqueceu as cores
e a vida anda em silêncio.
As cores se perderam no caminho,
como se a luz tivesse partido
sem olhar para trás.
Nada faz sentido.
Meus dias vestem o mesmo tom,
olho e não enxergo além do cinza.
Até o céu se fechou,
aprendeu a escurecer comigo.
E há um medo manso, quase quieto:
que meu coração,
de tanto conviver com a ausência,
aprenda também
a não sentir cor alguma.
Mas o cinza não é noite inteira.
Em algum ponto invisível,
ele apenas espera.
E talvez — só talvez —
as cores ainda saibam
o caminho de volta.