Em busca da estrelas perdida

Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de Meneses
Publicado em 16 de Março de 2026 ás 12h 22min

Um vasto oceano se desenrola,

não de água azul,

mas de veludo negro costurado com poeira de diamante.

Eu navego à deriva, uma pequena embarcação,

movida por um fôlego retido há muito tempo.

Sou navegante, sim,

um marinheiro nas correntes silenciosas do grande além.

 

Minha bússola gira descontroladamente,

inútil contra a extensão infinita.

Nebulosas florescem como hematomas pintados,

galáxias giram em danças lentas e majestosas,

cada uma uma cidade de sóis, um bilhão de possibilidades.

Procuro. Meu olhar se estica fino, buscando uma luz específica.

 

Uma estrela desaparecida.

Não uma nova brilhando intensamente,

mas algo conhecido, profundamente familiar,

um tremulo que me lembro de um sonho lembrado ao amanhecer.

Ela me puxou da costa,

esse sussurro de ausência estelar.

 

Traço rotas através de campos de asteroides,

passando por gigantes adormecidos de gás,

minha pequena nave ressoando com uma canção baixa e solitária.

As coordenadas estão embaçadas, o mapa incompleto.

Quão vasta é essa busca?

Quão profundo realmente vai o vazio?

 

Então, um silêncio estranho se instala.

A varredura frenética cessa.

O frio do espaço parece recuar.

Olho para baixo, além dos controles desgastados pelas minhas mãos,

além do casco que me protege do vácuo.

 

Estou em busca da estrela perdida.

Mas e se a jornada não for para fora,

não medida em anos-luz ou parsecs?

E se o mapa que carrego for enganoso?

 

A pergunta surge, suave como luz estelar filtrando-se pela poeira.

Mas em qual galáxia ela deve estar?

 

Fecho os olhos diante da beleza impossível,

da extensão implacável e indiferente.

E naquela escuridão súbita,

um calor floresce, devagar e incontornável.

Um núcleo de algo antigo, firme,

uma gravidade que não percebi porque sempre estive orbitando-a.

 

Dentro de mim.

 

Talvez a estrela perdida não seja um destino,

mas o próprio motor que impulsiona a embarcação.

Uma pequena singularidade brilhante,

aninhada profundamente nas câmaras silenciosas do eu.

Um lugar que nunca posso realmente deixar,

e, portanto, o único lugar que resta para explorar.

Talvez?

A jornada continua,

mas agora, o horizonte encolheu,

tornando-se o cenário do meu próprio coração pulsante.

A busca muda para dentro,

para as constelações silenciosas guardadas atrás das pálpebras.

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