Ele,
uma melodia distante,
ecoando através do vale do tempo.
Um rosto,
desbotado como uma fotografia antiga,
guardada numa caixa no sótão da memória.
Sua voz,
um sussurro fraco no vento,
perdido entre os galhos nus das árvores.
Ele é uma lembrança esquecida,
debaixo das folhas secas do outono,
um tapete marrom e silencioso.
Um outono que desfolhou o amor,
arrancando pétalas,
expondo a raiz frágil.
Folhas que caíram,
uma a uma,
levadas pela brisa fria.
O perfume doce,
agora apenas vestígios,
na terra úmida.
Ele jaz ali,
sob o peso do esquecimento,
um segredo enterrado.
O sol já não aquece,
apenas sombras longas,
desenham o contorno do passado.
Um coração outrora cheio,
agora vazio,
esperando a primavera que não vem.
Ele é o outono,
e o outono,
é o fim.
Comentários
Menina, que lindo! Se poema dialoga com meu como houvesse uma conversa antecipada entre ambos. Eu compreendo perfeitamente seus versos. Simplesmente LONDOS!
Gilmair Ribeiro da Silva | 09/01/2026 ás 16:05 Responder Comentários