Ele costumava estrelas no quintal do céu

Poemas | | Rosilene Rodrigues Neves de Meneses
Publicado em 01 de Junho de 2026 ás 10h 36min

Ele Costumava Estrelas no Quintal do Céu

 

Ele costumava estrelas

no quintal amplo e aberto do céu.

Com mãos feitas de silêncio e pura ternura,

plantava constelações uma a uma sobre o manto da noite,

feito quem semeia delicados lírios brancos

num jardim que nunca tem fim.

 

A lua observava tudo de longe,

vestida com as suas roupas de névoa e mistério,

enquanto os ventos, esses amigos antigos,

levavam canções suaves para muito além do horizonte.

 

Ele costumava estrelas.

Regava-as com sonhos que o mundo havia esquecido,

com lágrimas brilhantes de cometas errantes e solitários,

e também com aquela esperança dourada e leve

que as pessoas, infelizmente, costumam perder ao crescer.

 

E quando, enfim, uma estrela desabrochava,

ela abria imensas pétalas de luz viva

bem sobre os telhados escuros do mundo,

iluminando caminhos e, principalmente,

os corações já cansados de tanto caminhar.

 

E assim passavam-se os séculos,

fluindo devagar como rios calmos feitos de eternidade.

Até que chegou a noite em que, simplesmente,

ele partiu, deixando tudo bonito, sem dizer uma palavra de adeus.

 

Mas ainda hoje,

quando o céu se enche de brilhos intensos e vivos,

há quem jure, de mãos postas, vê-lo caminhar lentamente

entre galáxias distantes e nuvens de pura prata,

continuando o seu eterno trabalho:

cultivando estrelas raras e brilhantes

nesse infinito quintal do céu.

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