Ego tempo
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 18 de Março de 2026 ás 06h 17min
O Ego do Tempo
O tempo veste espelhos,
orgulhoso de sua pressa,
penteia os minutos com vaidade,
e sorri diante do que desfaz.
Julga-se eterno, soberano,
dono dos passos e das pausas,
mas esquece — no silêncio das horas —
que também se consome ao passar.
O tempo se admira nas rugas,
nas flores que murcham,
nos sonhos que se tornam pó,
e chama isso de poder.
Mas há um instante, breve e ousado,
em que o tempo se curva ao sentir:
quando o amor o desafia,
e o faz esquecer de existir.
Assim, o ego do tempo se quebra,
feito vidro diante da alma,
pois nenhum relógio domina
o que vive no agora da calma.