É tempo de amar

Poesia Amorosa | Rosilene Rodrigues Neves de Meneses
Publicado em 19 de Fevereiro de 2026 ás 15h 41min

Tu és um amor de um tempo outonal. 

 A luz se inclina, 

mais suave agora, 

como um véu de seda 

sobre os ombros do dia. 

 

O ar carrega um cheiro 

de terra úmida e folhas que caem, 

uma promessa sussurrada 

de quietude que se aproxima. 

 

E tu chegas, 

não com a força do verão, 

o calor que queima a pele, 

mas com a calma madura 

das maçãs colhidas. 

 

Teu riso é o farfalhar 

das faias vestidas de ouro e cobre, 

um som que não exige pressa, 

apenas aceitação. 

 

Os dias encurtam, sim, 

e a sombra se alonga no gramado, 

mas em ti encontro 

o calor necessário, 

o abrigo exato. 

 

És a brasa que persiste 

quando o fogo principal se acalma, 

o calor que aquece as mãos frias 

sem ser sufocante. 

 

Os teus olhos carregam 

a profundidade dos lagos 

no crepúsculo de outubro, 

reflexos de céus que já viram muito, 

mas ainda prometem estrelas. 

 

Não há urgência em nosso toque, 

apenas a certeza lenta 

de raízes se entrelaçando 

sob a superfície que esfria. 

 

Tu és o conforto da lã grossa 

vestida sobre a pele fina, 

a leitura demorada 

junto à janela fechada. 

 

Um amor que entende 

a beleza da despedida das flores, 

que celebra a colheita 

e o repouso que se anuncia. 

 

És a cor queimada das folhas secas, 

vivas ainda em sua dança final, 

antes de se tornarem pó fértil. 

 

Tu és a paz que eu não sabia buscar 

no auge do sol, 

mas que floresce, 

serena e forte, 

neste tempo de transição, 

neste amor de um tempo outonal. 

 

Um amor que sabe esperar 

a neve, 

porque já encontrou seu lar 

no aconchego 

deste outono perpétuo em nós.

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