Duas Canetas, Uma só história

Poemas | | Luciana Kelm
Publicado em 20 de Março de 2026 ás 18h 54min

?Na mesa do quarto, o encontro sagrado:

O meu instrumento e o dele, ao lado.

Duas canetas de traço certeiro,

Que desenham o mundo no dia inteiro.

?A dele é silêncio, é gota, é vida,

É a dose exata na pele sentida.

A minha de tinta é som, é memória,

É quem dá o sentido a toda essa história.

?Escrevo com a tinta que o peito transborda,

Para despertar quem o medo acorda.

Digo aos pais, em cada versículo,

Que a vida não para nesse capítulo.

?O diagnóstico assusta, a rotina é severa,

Mas ainda há flores em nossa espera.

Se a caneta dele mantém o seu passo,

A minha de tinta é o texto abraço.

?Pois mesmo entre números e medições,

A felicidade habita nossas canções.

Ele vive pela insulina, eu escrevo por nós,

Dando ao acalento a minha própria voz.

 

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