Doces lembranças
Saudades | | Rosalina Ananias Pinheiro NevesPublicado em 07 de Outubro de 2026 ás 11h 08min
Doces lembranças
Madrugada calorosa
Muito ânimo e coragem
A família Pinheiro em peso
A postos para mais uma viagem
Dessa vez era algo bem doce
Até podíamos sentir
O gosto da rapadura
Que ainda estava por vir
Os mais velhos iam na frente
O facão bem afiado
Era necessário ser preciso
No corte e no roçado
Homens de muita coragem
Isso era tradição
Levava o trabalho a sério
Pois sustentava a nação
Da cana fazia o açúcar
Da roça trazia o feijão
E no fogão dona Rosa
Cozinhava com o coração
Nesse dia em especial
Foi uma tarefa bem doce
Seu jerônimo administrava tudo
Também levava sua foice
Em pouco tempo ali na roça
A cana já estava no chão
Sendo preparada com esmero
Por meu pai e meus irmãos
O cavalo e a carroça
Esperava receber
Aquelas canas já cortadas
Preparadas para moer
No quintal um grande engenho
Fabricado mesmo ali
Suas moendas de madeira
começavam a rugir
No trapiche o burrinho
Que faria o trabalho
De rodar a engenhoca
Para começar colher o caldo
Muitas voltas nesse dia
Seria necessário
Pois os planos daqueles homens
Era de muito trabalho
E o caldo já descia
Era coado já no tacho
O fogo já estava acesso
Tudo dentro do compasso
O dia inteiro foi assim
E a família em harmonia
Esperava ansiosa
Pelo doce que viria
Algumas horas depois
O cheiro já dominava
O ambiente e a vizinhança
Que depois se aproximava
Forma feitas nesse dia
A rapadura e o melaço
Que sustentava a família
E ainda sobrava alguns pedaços
Era armazenado em caixotes
Bem cobertos e reservados
Adoçavam o café
Os quitutes e o bombocado
De vez em quando alguém pedia
Um pedaço da iguaria
Dona Rosa com carinho
Nos dava com alegria
Pouco lembro da infância
Mas não consigo esquecer
Dos momentos em família
Que pude assim viver