Do Tamanho de uma Gota

| | Isolti Cossetin
Publicado em 01 de Junho de 2026 ás 18h 38min

Do Tamanho de uma Gota

Quando eu era adolescente, havia em mim um desejo insistente: ir à África. Não por curiosidade de viagem ou aventura juvenil, mas por algo que eu mesma não sabia explicar muito bem. Talvez fosse apenas o desejo de ajudar. De fazer alguma diferença na vida de pessoas que eu sabia viverem em condições tão difíceis.

A vida, porém, tem seus próprios caminhos. O tempo passou, vieram responsabilidades, casamento, trabalho, família. Como acontece com tantos sonhos da juventude, aquele também ficou guardado em algum lugar silencioso da memória.

Mas certos sonhos não desaparecem. Eles apenas aguardam outro modo de acontecer.

Anos depois, conversando com alguém da família, mencionei, quase como quem recorda uma antiga ingenuidade, aquele desejo que nunca se realizou. Não imaginei que aquela lembrança viajaria tão longe.

Algum tempo depois, soube que ele havia estado em Uganda, na África. Durante a viagem, visitou um lar que acolhe crianças e adolescentes com necessidades especiais — jovens muitas vezes abandonados pela própria família e esquecidos pela sociedade. Ali, apesar das limitações e dificuldades, eles aprendem a criar pequenos objetos artesanais com palha e materiais simples da região.

Recebi de presente uma bolsa feita por aquelas mãos. Para muitos, talvez seja apenas um objeto artesanal. Para mim, tornou-se um símbolo. Um lembrete de que a solidariedade não precisa ser grandiosa para ser verdadeira.

Recentemente soube que a visita se repetiu. E desta vez não foi apenas um gesto individual. Outras pessoas decidiram unir-se à mesma iniciativa, demonstrando que a generosidade, quando é autêntica, tem o poder silencioso de contagiar.

Pensei então nas palavras de Madre Teresa de Calcutá:

“O que eu faço é uma gota no oceano. Mas, sem ela, o oceano seria menor.”

Talvez seja exatamente isso que o mundo precise compreender.

Vivemos tempos em que as grandes notícias falam de conflitos, divisões e intolerância. Mas, em paralelo, existem pequenos gestos acontecendo todos os dias — discretos, anônimos, quase invisíveis. Gente que ajuda sem esperar aplausos. Pessoas que estendem a mão sem perguntar quem está olhando.

Talvez nunca saibamos quantas vidas são tocadas por essas pequenas atitudes.

Mas uma coisa é certa: se cada um de nós oferecesse ao mundo ao menos uma gota de cuidado, um gesto de atenção, um pequeno ato de solidariedade, o oceano da humanidade certamente seria diferente.

Mais humano.

Mais pacífico.

Mais fraterno.

Porque, no fim das contas, o bem raramente faz barulho.

Mas ele sempre encontra um caminho para multiplicar-se.

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Gratidão, Marciel Ebbres! É impossível mensurar a gratidão, o respeito e o carinho que tenho por ti!!

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