Decreto do Rei
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 05 de Julho de 2026 ás 20h 07min
O Decreto do Rei
Rosy Neves
Amar o Rei era um decreto,
uma lei escrita
antes mesmo do nascimento das estrelas.
Diziam que ninguém
escapava ao brilho dos seus olhos,
nem ao silêncio da sua voz,
que atravessava muralhas
como o vento atravessa os jardins
de ciprestes e romãs.
Mas eu...
Eu era fugitiva.
Não fugia do Rei.
Fugia da batalha
que fazia da minha própria alma
um campo de espadas invisíveis.
Carregava mares nos ombros,
tempestades no peito,
e um Bósforo secreto
dividindo o coração
entre partir e permanecer.
Corri por desertos,
escondi-me entre minaretes,
confundi meus passos
com os das aves migratórias.
Pensei que o destino
se cansaria de procurar?me.
Mas o Rei...
O Rei conhece
os caminhos que nem o vento conhece.
Encontrou?me
quando meu último disfarce
era apenas o silêncio.
Não trouxe correntes de ferro,
nem soldados,
nem ameaças.
Capturou?me
com a mansidão do olhar,
com a misericórdia
que só os verdadeiros reis possuem.
Hoje vivo presa
nos teus laços invisíveis.
E, curiosamente,
jamais conheci liberdade maior.
Porque há prisões
que são jardins.
Há correntes
tecidas de amor.
E há um Rei
que não conquista reinos
pela força da espada,
mas pela infinita delicadeza
de um coração que aprendeu a amar.