Decreto das estrelas
Poemas | Poesia Amorosa | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 30 de Agosto de 2026 ás 22h 01min
O Decreto das Estrelas
Rosy Neves
Amar o Rei
não foi uma escolha,
foi um decreto escrito
nas margens secretas das estrelas.
Antes que eu soubesse o meu nome,
antes que meus pés conhecessem a terra,
alguma constelação antiga
já havia traçado o meu destino
com tinta de luar.
E eu o amei…
Não porque quis,
não porque pedi,
mas porque havia dentro do meu peito
uma ordem que nenhuma razão
conseguia revogar.
Mas hoje…
hoje sou uma fugitiva errante,
atravessando vielas de silêncio,
com a alma cansada
e o coração em guerra.
Fujo do Rei,
fujo das lembranças,
fujo das próprias estrelas
que um dia testemunharam
o meu juramento.
E quanto mais corro,
mais escuto o meu próprio coração
chamando por aquilo
de que tento escapar.
Ah, anjos…
Se ainda houver misericórdia
nas alturas do céu,
olhem para mim.
Não me deixem sozinha
nesta batalha invisível
entre aquilo que sinto
e aquilo que desejo esquecer.
Guardem meus passos
quando eu caminhar sem direção.
Recolham minhas lágrimas
quando elas caírem
sobre a noite.
E se o amor foi realmente
um decreto das estrelas,
ensinem-me, pelo menos,
a sobreviver ao destino
que elas escreveram.
Porque hoje
sou apenas uma mulher errante,
carregando no peito
um reino que não pedi…
e uma guerra
que ninguém consegue ver.