Daí me a luz do teu olhar
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 25 de Março de 2026 ás 19h 40min
Dá-me, então, a luz do teu olhar,
como quem acende auroras no silêncio,
para que eu possa, em reverência,
fitar os olhos do rei —
não por soberba,
mas por sede de infinito.
Que essa luz me guie,
como estrela mansa sobre o abismo,
e não como chama voraz
que consome o que em mim ainda sonha.
Concede-me ver,
mas não me cegues.
Pois há delicadezas na alma
que só sobrevivem à meia-luz,
há verdades que florescem no escuro,
como lírios secretos
que não suportam o peso do sol.
Se teus olhos são portais,
deixa-me atravessar com cuidado,
como quem pisa descalça
no sagrado do mundo.
Dá-me a luz —
mas que ela seja branda,
quase um sussurro,
quase um toque,
quase um amor que não fere.
E se eu alcançar o olhar do rei,
que eu não me perca de mim.