Cordel ao Doutor Josivaldo
Cordel | Poesia Popular | Simone SouzaPublicado em 20 de Outubro de 2026 ás 01h 02min
Peço licença ao cordel
Pra contar uma história
De um mestre de Pedagogia
Que mora em nossa memória:
Doutor Josivaldo, o professor
Que faz da aula uma glória.
Foram anos na UNEMAT
De entrega e dedicação,
Formando tantos docentes
Com saber e com paixão,
Ensinando, mais que a técnica,
A educar com o coração.
Foi lá no segundo semestre
Nossa turma o conheceu:
Chegou rimando em cordel
E a sala inteira acendeu.
Quem pensava que era aula
Viu que poesia nasceu.
Ele lia Paulo Freire
Com voz de quem acredita:
Que a leitura do mundo
Vem antes da palavra escrita,
E que esperançar é verbo
Que a gente pratica e habita.
Ninguém educa ninguém,
Ninguém se educa sozinho.
Com Freire ele nos mostrou
Que aprender é um caminho
Feito em roda, em diálogo,
Com respeito e com carinho.
Fora da sala, o poeta
Faz show, música e canção,
Escreve livro e doa livro
Pra quem não tem um à mão,
Plantando a leitura forte
Feito mandacaru no chão.
Mas a vida às vezes prova
Até quem é mais valente:
A saúde deu um susto
Num homem tão eloquente.
"Nada de emoção forte!",
Mandou o doutor, prudente.
Logo ele, que vive em verso,
Que se emociona à toa,
Teve que poupar o peito
De toda emoção que ecoa.
Mas venceu, e hoje está firme,
Inteiro e de alma boa.
E quem lembra daquele susto
Hoje custa a acreditar:
O Doutor calçou o tênis
E saiu pra correr e ganhar,
Subindo ao pódio em primeiro
Com medalha a brilhar.
Hoje, enfim aposentado,
Tem mais tempo pra viver,
Pra rimar os seus cordéis,
Pra tocar, cantar e ler,
E ainda achou um jeito novo
De ensinar e acolher.
E não se fala do Josivaldo
Sem lembrar do Professor Doutor Neto
Parceiro de sala e de vida,
De cada sonho e projeto,
Dois mestres que nos ensinam
Que educar é um ato de afeto.
A amizade dos dois ensina
A lição mais verdadeira:
Que o dinheiro vale pouco,
Que o resto é só poeira,
E o que fica é o amor ao próximo
E a amizade companheira.
Pois hoje, no dia dele,
Quem cozinha é o professor:
Trocou o giz pela colher,
Pôs na panela o sabor,
E serve à turma, de novo,
Mais uma aula de amor.
Freire chamou de amorosidade
Isso que ele faz tão bem:
Partilhar o pão e a mesa,
A palavra que vai e vem,
Porque quem ensina com afeto
Educa e se educa também.
Levaremos os dois conosco
Pra além da universidade,
E se formos um por cento
Da sua humanidade,
Seremos bons profissionais
E gente de verdade.
Por isso, mestre querido,
Hoje pode se emocionar,
Só um pouquinho, com cuidado,
Que o coração quer festejar!
Obrigada, de toda a turma,
Por nos ensinar a esperançar.
Simone Souza de Araújo,