Constelação de poemas
Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 20 de Fevereiro de 2026 ás 10h 59min
O universo é uma constelação de poemas
O céu noturno estendido,
um pergaminho de tinta escura,
onde estrelas minúsculas,
pontos de fogo antigo,
escrevem versos silenciosos.
Cada luz, um substantivo brilhante,
um eco de um Big Bang falado,
uma sílaba de hidrogênio e hélio,
a primeira rima do tempo.
As nebulosas,
manchas de tinta cósmica em difusão,
são estrofes longas,
em prosa vermelha e azul,
onde novas palavras, planetas nascentes,
se aglomeram em versos gravitacionais.
A Via Láctea,
uma caligrafia prateada e poeirenta,
desliza como um verso épico,
contando a história de bilhões de anos
em um único traço curvo e infinito.
Os buracos negros,
silêncios profundos,
são os pontos finais abruptos,
as pausas dramáticas
que dão sentido à vastidão do que foi dito antes.
E nós, pequenos leitores na Terra,
nesta pálida página azul,
levantamos os olhos
e deciframos os símbolos luminosos.
Tentamos capturar a métrica das órbitas,
o ritmo lento das galáxias espirais,
a cadência da luz que viaja por éons
para tocar nossas retinas.
Cada sol distante é um verso de fogo,
cada planeta uma metáfora sólida,
girando em torno de seu centro,
um refrão repetido em ciclos perfeitos.
O cosmo não é apenas espaço e matéria,
é uma biblioteca em expansão,
onde cada sistema solar é um tomo,
e a escuridão entre eles,
o espaço branco vital que permite à leitura fluir.
E quando olhamos para cima,
sentimos a rima ressoar em nosso peito,
a pulsação de um poema maior,
impossível de terminar,
perfeitamente imperfeito,
o universo, em sua totalidade,
uma constelação de poemas incessantes.