“Conexões”
O cérebro dessa pessoa funcionava como uma cidade com caminhos próprios. Algumas ruas largas, iluminadas, cheias de movimento. Outras, mais estreitas, seguiam um ritmo diferente, não errado, apenas único.
No mundo dessa pessoa, os sons chegavam mais fortes. Um toque simples podia soar como um alarme. A luz tinha peso. O barulho tinha textura. Não era exagero, era a forma como suas conexões se organizavam.
Enquanto isso, áreas da linguagem e da interação social caminhavam em outro tempo. Não porque faltasse inteligência, mas porque o seu mapa interno era diferente. Cada passo precisava ser traduzido.
Em compensação, a memória visual era afiada como fotografia. Os detalhes não passavam despercebidos. Pequenas mudanças eram notadas de imediato. Onde muitos viam o comum, essa pessoa via padrões, cores escondidas, possibilidades.
Durante muito tempo, disseram que havia algo “faltando”. Mas não faltava nada. O cérebro no espectro autista não é defeito. É diversidade.
O cérebro funciona de um jeito único, como se tivesse suas próprias conexões especiais, seus fios invisíveis que criam outras formas de sentir, pensar e de existir no mundo.
E quando alguém aprende a enxergar por esse caminho, descobre que o diferente também é extraordinário.