Conchinhas de estrelas
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 08 de Setembro de 2026 ás 14h 04min
Conchinhas de Estrelas
Rosy Neves
Vá, menina…
colher conchinhas de estrelas,
enquanto a noite
debruça teu sono
sobre o mundo.
Vá…
mas vá em silêncio!
Não despertes a lua
que repousa entre as nuvens,
nem o vento
que guarda segredos
nas margens do infinito.
Vá devagar, menina,
com os pés descalços
sobre a areia celeste,
onde cada grão
é a pequena memória
do universo.
Vá…
antes que o mar cósmico acorde.
Pois, se ele despertar,
há de levantar suas ondas
de prata
e tecer os teus cabelos
como fios de luar.
E talvez,
entre uma estrela caída
e outra ainda distante,
ele sussurre teu nome
para além das constelações.
Então, menina…
colha depressa
as tuas conchinhas de estrelas.
Guarda-as junto ao peito.
E não digas a ninguém
onde as encontraste.
Vá…
mas vá em silêncio.