A capela precisava ser concluída. Programou-se uma grande festança, com direito à pescaria, leilões e muita cuca com linguiça.
Feitas novenas e tríduos, foi aconselhado de todos virem, no dia, com o bolso recheado de dinheiro. Apareceram inúmeras doações: um porquinho, cabrito, burro e um coelho. É deste que vamos propriamente tratar.
Um leiloeiro famoso solicitou ao Andrada que segurasse o coelho (não era nenhum mini e sim um cabeça de leão grandalhão) e o mostrasse enquanto ele cantava o leilão: Quem dá mais...?
O Andrada, meio contrariado, deixou a querida namorada sentada à mesa, enquanto ele pegava o quadrúpede à moda de criança. Iria dar sua contribuição para o divino desta forma, ainda mais que estava com pouco dinheiro. Ele deveria dar o lance inicial de duzentos para o leiloeiro entrar em cena. Foi incrível a aceitação na hora da primeira rodada: 300... 400... Quem dá mais? 500 e ... dou-lhe uma, duas, três... o coelho é seu. O ricaço pagou, mas devolveu o bicho para o Andrada.
— Façam outro leilão, afinal é para a igreja. Feita a segunda rodada, começou com 200 e foi até 400... Gente o negócio pegou fogo... Todo mudo torcendo... Terceira rodada... até a sexta rodada.
E o Andrada cansado de segurar o animal que já lhe manchara a roupa toda.
Então o leiloeiro entoou a sétima rodada, que seria a derradeira;
— Andrada, você começa alto que desta vez vamos a mil. Andrada começou:
— Dou-lhe 300... Quem dá mais? E ninguém falou nada... Silêncio inquietante...
O leiloeiro então melancolicamente encerrou:
— Dou-lhe uma, duas... e três... o bichinho é seu, Andrada! Parabéns!
Nosso amigo quase desmaiou. Só tinha 250 no bolso.
Foi até a namorada, mostrou a conquista queridinha e pediu:
— Você não pode emprestar 50 reais para eu pagar a oferta, afinal quem empresta a Deus, recebe em dobro.